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domingo, 20 de outubro de 2013

DESEJO




Bom...
Como nada melhor que poesia no dia do poeta, eu continuo lhe desejando...

Abraçoo 
                         Lúcia Barros








DESEJO


Victor Hugo


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar
E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo
Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.
Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada
Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
“Isso é meu”
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem
Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar
Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar
E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar

quarta-feira, 24 de abril de 2013

É assim que te quero, amor





É assim que te quero, amor


Plabo Neruda


É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

“EIS QUE FICARÁ GRÁVIDA” OU: NÃO SOMOS TODOS FILHOS DO CÉU ?


Olá!

Quer saber de uma coisa!? 
Qualquer dia destes acordo filósofa! hahaha

Gostei do texto do mestre em Filosofia Newton Tomazzoni,  professor da PUC-MINAS.
Por isto compartilho com vocês, exatamente como ele postou no Facebook, e, com a autorização do mesmo.


P.S.: Se o tamanho da fonte (letra) estiver desconfortável para ler, é só deixar um recadinho que mudo.

Abraçoo 

                          Lúcia Barros









Newton Tomazzoni, professor de Filosofia da PUC-MINAS.

Ola pessoal....mais uma provocação. Abraços

“EIS QUE FICARÁ GRÁVIDA” OU: NÃO SOMOS TODOS FILHOS DO CÉU ?

José Newton Tavares

“...o anjo entrou onde ela estava e disse : “alegre-te, cheia de graça ! O Senhor está com você !” Ouvindo isso, Maria ficou preocupada, perguntava a si mesmo o que a saudação queria dizer. O anjo disse : “ Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça diante de D
eus. Eis que você vai ficar grávida, e terá um filho, e dará a ele o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado filho do altíssimo”. ( Lc 1, 28-32 )


Com esses poucos versículos, os poemas sagrados tocam em nossa mais profunda verdade. A narrativa da anunciação desvenda, pelo lado de dentro, o grande mistério humano de estar distendido entre a necessidade antropológica da plenitude e a sua, aparente, impossibilidade histórica. Somos seres alienados de nós mesmos. Estamos sempre em busca de um lugar onde sempre estivemos, mas onde pouco estamos. Sentimos nos cantos mais obscuros do nosso ser que, além dessa precária e arrastada existência, mora em nós uma ligação indelével com nossos mais profundos sonhos de amor. Por mais que as evidências da dor e da tragédia pareçam imperar, nos recusamos a aceitar o veredito da realidade. Trazemos a firme certeza de que, apesar de tudo, o amor não morre com a maldade humana.


Em seu romance Guerra e paz, Tolstoi narra-nos os últimos momentos do príncipe André. Depois de muitas e árduas batalhas, o já velho guerreiro é atingido por uma lança que o joga, mortalmente, ao chão. Antes do fim, deitado sobre a relva, ele olha, então, para o alto e estas são suas últimas palavras ao seu fiel escudeiro: “Como é lindo o céu, como são maravilhosas as estrelas, que encanto é o universo. Pena que descobri isso, agora, no fim”. Essa é a nossa verdade. Nossa vida não é só batalha, conquista, poder. É beleza, poesia, delicadeza, amor, CÉU. É uma pena que, também nós, só percebemos isso ao cair da noite da vida. E o que fazer se nós só nos damos conta do que tínhamos quando já não temos mais? Estamos tão ocupados em buscar instrumentos para, um dia, sermos felizes, que não notamos a presença ululante da delicadeza da vida a nos rodear. De tão simples a beleza se perde no tempo.


A tradição cristã parece que nunca esqueceu esta verdade antropológica. Com muita delicadeza ela percebeu que nós não somos só filhos da terra: da transitoriedade, da fragilidade, da finitude e da deteriorização. Desde o início proclamou que, também nós, somos filhos do céu: da beleza, da eternidade, da infinitude, do ESPÍRITO. A narrativa da anunciação é a forma cristã de dizer que temos o chamado das estrelas...somos filhos do infinito.


Todos nós somos, a esteira de Jesus, também filhos do Espírito. Ele é latência humana. Tudo que afirmamos cristologicamente, deve sustentar-se, também, antropologicamente. Ou o que dizemos de Jesus tem a ver conosco ou não tem a ver com coisa alguma. Dizer que somos filhos do Espírito é dizer que somos totalmente novidade. Trazemos, sem dúvida, uma grande carga hereditária; participamos, com grande alegria, da milenar corrente histórica de gerações e gerações. No entanto, para além de nosso parentesco geracional, sabemos, por intuição do coração, que guardamos, em frágeis potes de barro, uma distinção singular.


Também nós somos filhos de uma virgem. O ventre que nos gerou foi único porque dele nasceu algo totalmente novo. Mesmo que uma mulher tenha vários filhos, cada gestação é uma novidade: quem ou o que será esta criança? Gostará de música? Brincará com os beija-flores? Chorará ao ler poesia? Ou será fechada como um baú pirata? Triste como um pôr do sol? Ninguém sabe, nem mesmo seus pais. Há um núcleo irredutível de silêncio guardado somente para o infinito. Por isso os pais de Jesus ficaram admirados com a profecia de Simeão (Lc 2, 33).


Cada gestação é uma novidade, um leque de possibilidades. Em cada uma há elementos novos: psicológicos, financeiros, existenciais... O sangue da mãe que alimentou o filho mais velho, não é, certamente, igual ao que alimentou o filho caçula. A ciência, com certeza, dirá que me engano, que não houve mudança nas hemácias, nos glóbulos brancos, no fator RH... É preciso, urgentemente, avisar a ciência que com a idade nós não ficamos apenas mais velhos, ficamos diferentes, capazes de ver com o coração.


Outro profundo engano da nossa cega civilização é acreditar que se faz amor com os genitais. O amor é fruto da palavra. Faz-se amor com a palavra e o ouvido. A fala é masculina, o ouvir é feminino. O verdadeiro amor é feito quando a fala (fálica) do amado penetra os ouvidos vaginais da amada, ou vice-versa, despertando seus sonhos mais profundos. Segundo Milan Kundera, amamos uma pessoa quando ligamos o seu rosto a uma metáfora poética. Amamos o corpo de alguém pela música que nos faz ouvir...o corpo é como um violão, uma flauta... : só é bonito porque de dentro sai música. O segredo do amor é ressuscitar na (o) amada (o) seus sonhos fundamentais, e isso é tarefa da palavra. O amor verdadeiro só acontece quando, além do prazer que o corpo sente, a alma ouve as palavras que moram dentro do olhar. Não! Não pensem que eu enlouqueci. Aprendi isso com minha Bíblia. Lá diz que foi assim que a nossa tradição entendeu a concepção do Deus menino: pelo sopro poético da palavra, penetrando os ouvidos virginais de uma menina de Nazaré. O divino só pode ser concebido quando a palavra faz amor com nossos sonhos mais profundos.


Somos todos filhos do céu. Somos todos filhos do Espírito. Somos todos filhos de uma virgem. Também nossas mães foram visitadas pelo grande anjo: delicado diálogo e gracioso encontro da alma com o corpo, do consciente com o inconsciente, da superficialidade com a profundidade, da terra com o CÉU. Pergunte a cada uma se aquele ou aquela que carrega no ventre não é fruto da graça? Também elas souberam (sabem), desde o instante da concepção, que carregavam (carregam) no seio algo divino, totalmente outro, filho do sagrado, FILHO DO ALTÍSSIMO.


O relato bíblico é verdadeiro. O sagrado, a beleza, o amor só pode ser filho do Espírito, do vento, do inusitado, de DEUS. Nossa experiência atesta que, no meio dos escombros da vida humana, emerge uma faísca de leveza, de sonhos e paixões, momentos de tão intenso ardor que nada nos remove a certeza de parentesco divino.


Não é possível que o brilho dos olhos de uma criança seja algo estritamente humano
...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A dor da alma

 
Olá!!!

Esta "prosa poética", como disse o próprio, é do meu amigo +manoel ferreira, escritor, poeta, filósofo, ...
Junto com o poema, vou compartilhar algo que me encanta no Manoel.  
Neste mundo tão competitivo, com tantos puxando o tapete, Manoel faz questão de elogiar os amigos. Não é bajular, é elogiar! Em público! 
Tem prazer em evidenciar as qualidades dos que lhe cercam. Quer que todos brilhem, e que os demais saibam e vejam isto. Sem inveja, ciúme ou mesquinharia. 
Manoel, com sua educação, carinho, carisma, conhecimento, cultura, amor, ética, e tantas outras coisas, conquista amigos e admiradores. Um motivo para que assim seja, é que sabe respeitar os que lhe cercam, sendo, naturalmente, respeitado também. 
+manoel ferreira, meu abraço carinhoso a você, amigo querido. Obrigada pelo lindo poema.


Com carinho,
               Lúcia Barros.


Meu amigo +manoel ferreira 


"A alma é a essência da dor por desejar o belo, a beleza que re-vela a vida, que mostra as esperanças de outros horizontes, uni-versos, que traz a fé no Amor que liberta, na Liberdade que manifesta o Amor? A dor é a essência da alma por inspirar buscas de alegria, prazer, contentamento, felicidade? O que são isto - a alma da dor, a dor da alma? A alma da dor dispensa palavras. A dor da alma traduz o Amor."  






Este é o poema que gerou o que está acima.




 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Amor


 

 
Amor
Fernando Pessoa.  
 
"O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..."



Com carinho,
                                                           Lúcia Barros